a esquadria dos senhores-penhores
esqueceu palavra que esqueceu
bir tawil
talvez um borrão de café sobre o mapa sobre mesa de ébano
(pernas bambas & raquíticas)
quem sabe um descuido do senhor-penhor-mor
enquanto rilhava uvas e trufas e
sobram
agora
na última costura desfeita do mundo
oitocentos square miles trapezóides
muralhados de fronteiras egípcias e sudanesas
oh e ninguém os quer!
quem quer bir tawil?
pedras & areia
ramadas de duro vento núbio
bichos indiferentes ao direito internacional
que vão passando sob
um sol inclemente hoje
noite obtusa amanhã
pouca terra sem nascituros
e estradas nenhures
e um pássaro impossível a não sobrevoar
coisa alguma
oh e ninguém os vê!
oh mas ninguém os quer!
quem quer bir tawil?
uti possidetis, ita possideatis
sim senhores do mundo lavrado em letra de lei bem sei está certo
mas é preciso querer
*
& queria eu um só futuro:
cair súbito nesta última das últimas
terra nullius
e morrer de fome no vácuo da lei
derradeira
paisagem e povoamento
porque
para morrer, toda a terra
e onde está o mundo senão aqui?
(oh mas não é verdade)
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